Uma das formas mais comuns de explorar esta confiança consiste em utilizar indevidamente a identidade de marcas conhecidas. Em Portugal, foram divulgados casos de vídeos falsos nas redes sociais que anunciavam promoções inexistentes em nome de cadeias de retalho. Num caso noticiado em 2025, um vídeo gerado com inteligência artificial promovia uma alegada venda de produtos a preço de custo.
Estes exemplos mostram como a inteligência artificial veio ampliar as possibilidades de fraude, facilitando a criação de imagens e mensagens credíveis e permitindo produzir conteúdos fraudulentos em escala. O problema não se limita, porém, às campanhas promocionais: a mesma estratégia de exploração da confiança é utilizada em situações do quotidiano, nas quais o consumidor tem menos motivos para desconfiar.
É o caso das falsas notificações de entrega, mensagens que se fazem passar por transportadoras, alegando que uma encomenda está retida ou que é necessário pagar uma pequena taxa, e que encaminham para páginas que imitam os sites oficiais para recolher dados pessoais e bancários. Durante a Black Friday, quando muitos consumidores aguardam várias encomendas, estas comunicações podem parecer perfeitamente legítimas, tornando mais difícil reconhecer a tentativa de fraude.
Embora estes ataques tenham frequentemente como objetivo imediato roubar dados aos consumidores, as consequências estendem-se às próprias empresas. Uma organização pode não sofrer qualquer intrusão nos seus sistemas e, ainda assim, ver a sua identidade utilizada para dar credibilidade a uma fraude. A falsificação de páginas, anúncios e perfis não só expõe os consumidores ao risco, como pode comprometer a confiança construída pela marca e prejudicar a sua reputação.
Por isso, a resposta das empresas não deve limitar-se à proteção dos seus sistemas informáticos. É igualmente importante monitorizar domínios e anúncios suspeitos, denunciar conteúdos fraudulentos e estabelecer procedimentos que permitam alertar rapidamente os clientes. A proteção da identidade digital deve, assim, integrar a estratégia de cibersegurança das organizações, articulando a prevenção técnica com a gestão da reputação e a comunicação de risco.
Esta responsabilidade das empresas deve ser acompanhada por uma maior atenção por parte dos consumidores. Num período em que a rapidez das decisões comerciais é também explorada como instrumento de ataque, a melhor defesa passa por contrariar a urgência imposta: parar, verificar e só depois avançar. Porque, na Black Friday, proteger a confiança é tão importante como proteger os dados.
Black Friday: cinco passos essenciais para comprar em segurança